Normal ir à praia em meio a pandemia

O Twitter se revolta. Todos estão bravos por causa do grande furo, seria ele uma grande fofoca? um furo de reportagem? Não! É o grande furo da quarentena! Milhares de pessoas vão às ruas não para derrubar um presidente incompetente mas para ir à praia; e o Twitter se revolta com essa situação, seria inveja dos internautas que queriam pegar uma prainha mas tiveram medo de ser cancelados? A equipe de campo da Anti Comix foi investigar.

A praia lotada, mulheres seminuas passando álcool em gel ao invés de filtro solar. Quando, de repente, eu ouço de fundo “oh a vacina do coronguinha! A famosa cachaça!”, meus olhos se encheram de lágrima em tamanha genialidade do criador dessa frase tive que comprar 3 cervejas Itaipava por 10 reais com ele. Depois de comprar o combustível e passar álcool em gel por dentro do corpo decidi entrevistar o tiozinho da “água, coca, latão”, o seu Ronaldo.


O senhor trabalha como camelô desde quando e como foi sem a clientela nessa pandemia?

Eu não trabalho nisso não meu filho eu sou faxineiro dia de semana, folguei hoje e vim fazer um bico aqui na praia.


O senhor não tem medo de sair no meio da pandemia e enfrentar essa aglomeração?

E homem tem medo de alguma coisa, rapaz? Eu tenho é medo de não ter dinheiro no fim do mês!


Essa frase do seu Ronaldo me tocou e pensei por um instante o que levou aquele bando de gente pegar uma praia no feriado prolongado. Minha saga continuou, agora conversando com banhistas, muitos estavam bêbados e não conseguiam responder direito as minhas perguntas; quando, de repente, avistei uma família e logo corri para entrevistar a mãe, uma atendente de lanchonete, dona Ivete.


A senhora não tem medo de vir à praia em meio a uma pandemia?

Eu não, meu patrão não pensou duas vezes em me mandar trabalhar assim que pode abrir a lanchonete de novo e pode acreditar que a maioria do pessoal aqui tá de folga do trabalho, trabalhar eu sou obrigada, mas lazer eu não posso ter por causa da pandemia? hipocrisia de quem prega isolamento e deixa a gente trabalhar.


Sim a entrevista com dona Ivete acabou aqui, após ouvir essas coisas nada mais fazia sentido na minha cabeça e lembrei que só inventei essa matéria pra poder furar na redação da Anti Comix e vir curtir uma prainha. Eu também sendo obrigado a trabalhar mereço um tempo de descanso, peguei uma Itaipava gelada que havia sobrado sentei ao lado do marido de dona Ivete e curti meu fim de semana na praia em meio a pandemia. Agora estou voltando para redação e já pensando 12 de outubro tem mais! Vem praia e feriado prolongado!


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